Manifesto contra a Especulação Imobiliária

Com a chegada do rodoanel ao Embu, anos atrás muita coisa mudou, e não me refiro aos crimes ambientais cometidos para construí-lo, mas sim que Embu se tornou mais “próximo” de São Paulo e de outros municípios, com o trecho sul, então? mas essa proximidade toda fez com que pessoas quisessem morar aqui, pois tem áreas lindas, arborizadas, tranquilas,  protegidas e que de repente ficam a cerca de 40 minutos da vila Mariana, bairro nobre de São Paulo, então o valor dos terrenos começou a subir, mas tinham alguns inconvenientes para as imobiliárias ganharem dinheiro com isso, as leis ambientais impedem que se façam loteamentos sem prévia autorização, os lotes mínimos são grandes, o que dificulta a venda, e até então o conselho gestor da APA era consultado para cada autorização de construção dentro da área, para avaliar o impacto negativo que isso poderia causar.

Certamente muita gente rica, pensou e fez apostas nessas áreas, para comprar terrenos  baratos e vender MUITO mais caro ali na frente, mas para isso eles precisavam flexibilizar as leis, pois estava muito difícil eles ganharem o dinheirinho suado deles, então, uma forcinha do Plano Diretor seria bem vinda, pois é uma lei que se sobrepõe sobre outras, então ela tem o poder de mudar legislações anteriores, e no caso, inclusive de anular a lei que criou a APA e todas leis de proteção ambiental anteriormente criadas!  isso realmente seria uma mão na roda para eles, não?

Mas como fazer isso sem que o movimento ambiental da cidade pudesse impedir? somente se eles não vissem isso, se isso estivesse na frente dos olhos de todos, mas ninguém percebesse, e como fazer isso? com pegadinhas jurídicas, onde não se escreve que pode fazer tal coisa, mas não escreve que não pode e diz textualmente que leis anteriores relacionadas serão anuladas.

Quando a sociedade civil percebeu isso e questionou o poder público, só tinha um jeito de aprovar tal plano maquiavélico, com o apoio popular, mas como fazer isso se o “povo” em sí não ganharia nada com isso? Á isso é fácil! bastou que justificassem as alterações como uma bem intencionada mudança para permitir indústrias, pois o POVO precisa de emprego, e ambientalista não precisa, ambientalista é rico, não se preocupa com o povo, só quer saber da árvore no seu jardim. ABSURDOS a parte, o discurso colou, e o “povo” estava contra qualquer iniciativa de defesa ambiental.

Interessante é que esse corredor industrial, que pretendem criar, valoriza ainda mais o valor do metro quadrado, se antes venderiam por 30 reais o metro, com lotes menores já passariam para 5o, e se for industria então! vai para 80, 100 reais. Realmente a pessoa pobre, que não tem onde morar vai ganhar muuuuiiiito com isso! vai ficar muuito contente!

A população é iludida a acreditar que o poder público a esta defendendo com isso, e vai ficar sem casa, por que não vai ter dinheiro para comprar terrenos com preços tão inflacionados, vai ficar sem empregos por que indústria precisa de pessoas com estudo e quem dá estudo deveria ser a prefeitura,  e por anos isso ficou deficiente, e todos nós vamos ficar sem o verde,  essas lindas matas, que fizeram tantas pessoas vir morar no Embu.

Isto é, ficaríamos sem o verde, caso continuássemos parados, sem participar, sem expor nossa opinião, sem denunciar esse abuso de poder para a imprensa e levantar a bandeira do desenvolvimento com respeito ambiental, que defende a todos, pobres, ou ricos igualmente!

 

Para informações oficiais do movimento, acesse o site do www.embu2020.com.br

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3 responses to this post.

  1. Posted by André Luiz Piscirilli Ramos on 02/07/2011 at 02:59

    Há uns trinta anos o Embu mobilizou-se fazendo um Simpósio Ecológico, que contou com a presença de nomes importantes como José Antônio Lutzenberger, Augusto Ruschi e os irmãos Vilas Boas. Iniciativas que cooperaram para fazer o Embú ficar conhecido como A Capital da Ecologia. Ainda vivíamos no regime militar… É inacreditável que naquela época tenhamos conseguido sensibilizar as autoridades e conquistado vitórias históricas. Eu quero lembrar o atual prefeito de meu querido Embú das Artes o seguinte: Devemos exaltar o Regime Democrático como único capaz de garantir a liberdade, a igualdade e a justiça! A mudança de regime foi uma conquista brasileira, o Sr. Chico Brito deve defender os nobres ideais da Democracia, que é mais forte do que ele. A história acaba por revelar quem é quem e suas razões.
    É de se lamentar que o primeiro executivo do Embú não conheça a história do município que administra, ele está na direção contrária. Deveria começar escutando seus eleitores. Escutar, não desdenhar.

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  2. Posted by E. Pessanha on 02/07/2011 at 14:40

    A constatação é lamentável, mas, o fato é que não nos livramos das Capitanias Hereditárias. Os Coronéis continuam a proliferar livremente e se perpetuam no poder; determinando o que querem ao seu bel parazer. Continuamos a nos comportar como gado tangido de um lado para outro sem vontade própria. Pobre povo inculto, que não sabe a força que tem.

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  3. Posted by A C Gomes on 11/07/2011 at 21:52

    O que está relatado neste blog é uma imagem muito clara do que querem fazer com o Embu das Artes.
    O triste, é que muitas pessoas estão realmente achando que só querem manter o verde os donos de terrenos que são residentes do Embu!
    Ao menos à princípio, esses já são donos desses terrenos e que os mesmos, de certa forma, estão protegidos, mas sabemos que o Poder Público também pode mudar isso. Então, o que iriam querer esses moradores? Querem de fato PROTEGER A NATUREZA!
    E não são só moradores do Embu que querem isso, são dezenas, centenas, milhares e milhões de pessoas que querem. Essa mesma NATUREZA que gera tantas belezas, riquezas e benefícios, não só para quem mora perto, mas mesmo para quem mora bem distante, e essa mesma NATUREZA faz com que centenas de Municípios espalhados pelo Brasil e pelo mundo, GANHEM MUITO dinheiro graças exatamente a isso: TER A NATUREZA PRESERVADA!!!
    Ganham muito com o TURISMO local, gerando milhares de empregos, trazendo divisas para o Município, deixando esse Município RICO… e, graças à isso, dando subsídios para o Poder Público fazer o que tem como DEVER fazer: dar estudo, saúde, segurança, emprego e qualidade de vida!
    Claro que existem várias formas de um Município ganhar dinheiro. Podem ter Indústrias, Empresas Prestadoras de Serviço, Construtoras e assim por diante. Mas Municípios que não tem nada a mostrar para visitantes, tem mesmo que gerar empregos com Indústrias/Empresas, mas esse não é o caso do Embu.
    Municípios que têm o que o Embu tem, devem usar exatamente isso a seu favor e ganhar muito mais aproveitando esses recursos, ao invés de devastar para construir e permitir Indústrias e Empresas com grandes áreas.
    Mas alguns moradores da nossa região crêem que os que defendem a NATUREZA, não querem ou não precisam de emprego. TODOS precisam de emprego. Mas o emprego pode vir de várias formas, uma delas é sem DEVASTAR, SEM POLUIR, SEM CAUSAR IMPACTOS ao meio ambiente, na medida do possível.
    Temos um exemplo aqui no Embu: é uma empresa prestadora de serviços na área da limpeza. Essa empresa gerava mais de 3000 empregos (digo “gerava” pois na época que a empresa que eu trabalhava mantinha contato com eles, há cerca de 10 anos, era assim, mas agora não tenho mais contato e não sei com quantos funcionários eles contam hoje). E a área que eles ocupam é pequena e muito bem cuidada e em harmonia com a Natureza. E hoje mesmo, conversando com um cliente que atua na área de Engenharia (eles estão numa área próxima à Av. Cidade Jardim – SP), perguntei quantos funcionários eles têm: 40 funcionários… e numa casa grande!!!
    Então, por que permitirmos empresas que ocuparão áreas enormes e gerarão poucos empregos e ainda irão causar devastação? Que colocarão em risco os mananciais e comprometerão a qualidade e a quantidade da nossa água. Será que alguns moradores pensaram nisso? Por que desmatar áreas enormes só para uma empresa de logística se instalar, gerando quase zero de emprego por metro quadrado e ainda causando um impacto ambiental enorme e enormes congestionamentos?
    Quem vai ganhar com isso?
    Vamos ver os “galpões” que já se instalaram na Estrada Dona Maria José Ferraz Prado e ver quantos empregos geraram… Assim é fácil enganar as pessoas, dizendo que estão preocupados em gerar empregos. Se essa for realmente a intenção, então vamos mostrar quais empresas de fato geram empregos, talvez a Prefeitura de Embu da Artes não saiba.
    Quem quer emprego deve ver quais empresas geram mais emprego e ver que qualificações essas empresas procuram em seus funcionários, pois de nada adiantaria vir uma empresa que usa alta tecnologia e certamente precisará que pessoas altamente qualificadas.
    Podemos ter Hotéis e Pousadas para que as pessoas passem a de fato visitarem o Embu e dormirem no Embu, que é o que se faz em cidades turísticas. E esses turistas gastam com refeição e com compras. Essas compras podem ser de artesanatos, mobílias, quadros, plantas, bolsas, lembrancinhas, enfim, dezenas de outras coisas. Também podemos ter alguns pontos preparados para pequenos comércios, como farmácias, padarias, açougues, consultórios etc., justamente para termos no Itatuba condições mínimas de vida, para quem não tem transporte próprio não ter que ir longe para poder comprar, se tratar, se divertir.

    Enfim, temos tantas outras possibilidades, gerando mais empregos e mais recursos para o bairro do Itatuba e região e sem devastar.

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